Separados e escolhidos
“ E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais” (At 5.14). Conforme a recém formada igreja cristã crescia, havia constante necessidade de serem separados, aqueles que exerceriam ocupações ministeriais. O crescimento numérico da Igreja é o resultado da ação do Espírito Santo, complementado pelo trabalho evangelístico dos obreiros (e membros, obviamente).
Que é ser obreiro?
O termo “obreiro” é a forma genérica de identificarmos o crente escolhido por Deus para cooperar no ministério. A designação e graduação dos cargos, variam conforme a organização eclesiástica de cada denominação. As designações de cargo e posições mais comuns são: Pastor, Bispo, Reverendo, Presbitero, Missionário, Evangelista, Diácono, Diaconisa, Ancião, Cooperador e obreiro auxiliar.
Outras designações especificam a função de um membro ativo da igreja como por exemplo: professor, maestro, conselheiro, porteiro, músico, tesoureiro, secretário, coralista, etc., independente da graduação de cargo que possua. Em certas denominações estes cargos são exercidos tanto por homens como mulheres.
Há designações de cargos, pouco comums, desconhecidos e impopulares para grande parte dos cristãos como: Bispa, sacerdotisa, pastora e episcopisa (???). Temos no entanto que admitir, há irmãs que são poderosos instrumentos nas mãos do Senhor. Porém confesso que não consegui encontrar referências biblicas suficientes que apoiem tais designações citadas anteriormente.
Os obreiros pela própria posição que ocupam na Igreja, geralmente são mais provados que os membros. Há exemplos desta realidade até mesmo na vida secular. Gerentes ou encarregados de setor em empresas, indústria e comércio, tiveram que passar por várias experiências e graduações até atingirem a liderança.
Igualmente, numa guerra convencional, há grupos de soldados designados para a frente da batalha, cujo objetivo é obter posições estratégicas de ataque, afim de permitir aos soldados que estão na retaguarda avançarem.
No aspecto espiritual, os obreiros se posicionam na linha de frente contra os demônios. Por este motivo, devem jejuar e orar com frequência, requisitos importantes, pois a “casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum”(Mt. 17.21).
O bom testemunho é outro importantissimo requisito. O obreiro deve ser o exemplo aos membros da igreja. “Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado. Antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo”, recomendou Paulo (2 Co 6. 3 e 4).
A tendência natural dos novos convertidos, é observar o modo de agir dos obreiros e adotá-los como padrão. Se os obreiros demonstrarem péssimos exemplos, os liderados se escandalizarão e trilharão o mesmo caminho.
Responsabilidades do obreiro
Ao assumir o compromisso de ser um trabalhador da seara, deve estar ciente das responsabilidades para com a obra do Senhor. É certo que o tempo disponível para lazer, família e interesses particulares serão diminuidos sensivelmente.
Na primeira carta a Timóteo cap. 3, há alguns requisitos necessários para ser um obreiro aprovado. Ainda que o contexto seja especifico aos bispos e diáconos, esta porção das escrituras, igualmente é válida a todos os obreiros. Quando um dia ocuparem as posições referidas certamente necessitarão estarem adaptados com tais requisitos: “irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganancia, mas moderado, não contencioso, não avarento” (vers. 2 e 3)
O obreiro deverá estar preparado para enfrentar oposição ao seu trabalho fora e dentro (!?) da Igreja. Há perseguições e provas, mas a vantagem no âmbito espiritual compensa. Uma delas é a maior probabilidade de receber dons espirituais, indispensáveis para o desempenho de suas funções. Tornar-se obreiro, sem dúvida, possibilita obter maior intimidade com o Espírito Santo.
Há obreiros que foram chamados por Deus, enquanto há outros que, voluntariamente colocaram-se à disposição do ministério. “Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja” ((I Tm. 3.1).
Abaixo temos alguns exemplos biblicos de homens que não se ofereceram pela vontade própria, mas foram escolhidos por Deus para um ministério especifico. Todavia, no principio, queriam esquivar-se.
1) Moisés, ao ser informado por Deus acerca de sua missão no Egito, argumentou que não era capacitado (Ex. 3.11);
2) Isaias alegou que era um homem de lábios impuros (Is 6.5);
3) Jonas tomou um navio rumo oposto a Nínive (Jn 1.3); e,
4) Jeremias tentou esquivar-se do ministério profético “Eis que não sei falar” (Jr 1.6).
A chamada não é opcional
Quando Deus escolhe alguém para o ministério, aceitar o chamado não é uma opção pessoal e arbitrária. O crente escolhido não deve rejeitar o chamado sob hipótese alguma. O apóstolo Paulo confessou: “ ai de mim se não anunciar o evangelho” (I Cor. 9.16).
O obreiro que tem convicção de sua chamada, não desiste da missão. Ainda que enfrente duras provas, tem certeza que o Senhor está ao seu lado. Paulo ao iniciar a carta aos Romanos, deixou clara sua eleição para o ministério: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1). Disse o Espírito Santo, tempos antes em Antioquia: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At. 13.2).
Embora experimente toda sorte de sofrimentos e perseguições, o obreiro sente prazer ao contemplar o resultado de seu trabalho. Se bem que o “ide” ordenado por Jesus é extensivo a todos os cristãos, geralmente são os obreiros que cumprem a missão com mais assiduidade e dedicação.
A parábola dos talentos retrata as responsabilidades do obreiro para com a seara. “É como se um homem partindo para fora da terra, deixasse a sua casa, e desse autoridade aos seus servos, e a cada um a sua obra” (Mc. 13.34). A parábola era profética. Quando Jesus retornou ao céu, deu plena autoridade aos seus discipulos. Jesus ensinou-lhes como trabalhar na seara. “E , saindo eles, percorreram todas as aldeias, anunciando o evangelho” (Lc. 9.6).
Os frutos
A Bíblia qualifica como sábio aquele que ganha almas (Pv. 11.30). A visão evangelística do obreiro deve ser positiva e progressiva, ou seja, crer que através de si, Deus poderá realizar grandes feitos. Todo obreiro deve desejar ardentemente que, o trabalho que dirija ou colabore, produza frutos. Diz um ditado cristão : “O crente que trabalha não dá trabalho.
O obreiro trabalha com a certeza da recompensa que Deus lhe dará, quando findar a carreira terrena. Escreveu Paulo, antecipando o final da sua jornada. “Desde agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia”(2 Tm 4.8).
Ser obreiro é um privilégio. Que seja ele digno, provado e aprovado, semelhante a semente que caiu em boa terra, “e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta” (Mt 13.8).
Jesus através de uma parábola deixou claro que Deus não tem prazer nos servos que só fazem aquilo que lhes é mandado. “Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis porque fizemos somente o que devíamos fazer” (Lc 17.10).
O bom obreiro deve exercer suas funções ministeriais que lhe foi designado de livre e espontânea vontade e não esperar reconhecimento humano, porque Deus é quem dará a recompensa.
Pr. David Moreno