Capitulo II
RETROSPECTIVA DA IGREJA EVANGELICA BRASILEIRA – 1970-2010
Antes de prosseguirmos descrevendo as caracteristicas da Igreja do Futuro, façamos uma breve retrospectiva da igreja evangélica brasileira.
Crescimento astronomico
Na década de 70 a Igreja Evangélica no Brasil dava passos tímidos rumos a expansão. Eram considerados pelos meios de comunicação da época, elites dominantes e fiéis da religião predominante, como párias da sociedade, casta baixa, retrógrados, ignorantes, e fanáticos, para não citar outros adejetivos impróprios. Segundo adeptos da Ufologia, os crentes pareciam gente de outro planeta tamanha era a diferença na aparencia exterior (vestes, corte de cabelos our falta dele para as mulheres). Os crentes eram facilmente identificados a cem metros de distancia.
Em algumas regiões do Nordeste referiam-se aos evangélicos de forma pejorativa “ Lá vão os bodes com a Biblia debaixo do braço. Nas cidades menores, quando alguem se convertia a fé evangélica, era assunto por muitas semanas nas praças e barbearias. Diziam— “Passou para a lei dos crentes”
.
“A igreja cresceu mais que o dobro do ritmo da população durante mais de 20 anos. De 1970 até 1980 a igreja cresceu 5,06% ao ano, enquanto a população 2.48% ao ano. De 1980 a 1991, este crescimento continuou numa taxa semelhante, apesar da população diminuir um pouco (5.18% ao ano—igreja e 1,93% a ao no população. (fonte www.infobrasil.org)
Nas projeções da população evangélica para 2009 , 11 Estados brasileiros atingiriam de 30% a 40% - Roraima, Amazonas, Acre, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Espirito Santo, Rondonia, Goiás, Amapá, São Paulo e Tocantins. Entre 1991 a 2000, a taxa de crescimento superou 4 vezes o crescimento da população.
Este salto das estatisticas são resultados da palavra ministrada baseada exclusivamente na Biblia Sagrada (nada de tradições religiosas, fábulas e crendices). Milagres, curas e libertações eram frequentes em cada culto. Regeneração de elementos nocivos a sociedade era algo impactante na época e ocorriam com frequencia. Nas igrejas haviam muitos “ex” alguma coisa. (ex-bruxo, ex-ladrão, ex-viciado, etc)
Na área da evangelização, a igreja não apenas prosseguiu com os métodos tradicionais como panfletagem, cultos nas praças, visitas a hospitais e presidios, mas literalmente, numa segunda fase, invadiu os meios de comunicação de massa.
No ano de 2003 a Marcha para Jesus, evento realizado anualmente pela igreja evangélica de várias denominações, reunia mais de 2 milhões de fiéis no centro de São Paulo. O evento estendeu a outras capitais e tornou-se parte do calendário cultural.
Projeções indicam que, se o crescimento continuar neste ritmo, a igreja evangélica brasileira alcançaria 50% da população no ano 2045 (Se Jesus não vier antes) Obviamente o crescimento foi um fator positivo.
A invasão na Mídia
As igrejas começaram timidamente a alugar espaços nas emissoras AM. Visto que a metodologia teve exito, os espaços foram gradativamente aumentando. Eventualmente algumas emissoras foram compradas pelas igrejas . Quando isto acontecia a programação era radicalmente modificada. Música no estilo Bossa nova, rock, samba, forró , MPB e outras similares, deram espaço aos louvores e mensagens. Enquanto isto emissoras FMs pipocavam, principalmente nas grandes cidades. Havia uma opinião na época, que nas emissoras AM havia muita conversa e pouca música. Dai houve a migração dos ouvintes AM para FM.
Mais tarde o processo repetiu-se e as igrejas passaram a ter programação também nas FMs. Em alguns casos até facilitou pois os custos de horários alugados geralmente eram mais baratos pois atingiam apenas área em que as igrejas estavam localizadas.
Os burocratas de plantão tentaram parar o avanço.
“ — Emissoras de rádio funcionam sob concessão do Departamento de Comunicações, e não podem ser usadas para propagar religião, mas servir a comunidade”. De nada adiantou tais comentários.A igreja continuou avançando.
A Revista Veja, um dos veículos de comunicação mais conceituados no país, em extensa matéria sobre os evangélicos declarou:
“Na área da mídia eletrônica, há um verdadeiro império evangélico país afora. Existem mais de 300 emissoras de rádio evangélicas no Brasil, centenas de sites e pastores dando plantão on-line, na internet. (Edicao nº 1758 03/07/02) .
Gradativamente aconteceu o mesmo com os canais de TV que culminou com a compra da TV Record pela Igreja Universal numa operação comercial sigilosa. É lamentável que a emissora não tornou-se um canal de TV a serviço do Reino de Deus, mas prosseguiu como porta voz do reino terrenal, oferecendo entretenimento aos telespectadores e com ambições de desbancar a liderança da Rede Globo..
Nem os membros da denominação obtiveram um canal evangélico, nem os telespectadores da Record se converteram. Para maiores informações sobre esta decepcionante compra, ouça no YouTube o comentário do Pr. Silas Malafaia a respeito.
A Internet também foi “invadida” pelos evangélicos. Endereços como por exemplo www.igrejaevangelica.com estão presentes na rede. Alem de fornecer informações sobre a denominação, estudos biblicos, criaram o evangelismo virtual através de radio online 24 horas. Videos de pregações e clips gospel estão as centenas disponiveis gratuitamente no www.YouTube.com . Comunidades evangélicas se formaram da noite para o dia no Orkut, Facebook e outros sites sociais.
O apóstolo Paulo com todo seu esforço conseguiu atingir talvez milhares de pessoas na sua época visto a limitações nos meios de transporte e comunicação. Ele jamais imaginaria que o Evangelho seria um dia pregado de tantas formas possíveis. Nunca na história da humanidade, o Evangelho atingiu tantas pessoas simultaneamente.
Na área fonográfica e multimidia os evangélicos movimentam milhões de reais anualmente na forma de CDs, DVDs, livros, formatos digitais e outros materiais relacionados. Em São Paulo, a Rua Conde de Sarzedas tornou-se um referencial para comprar material evangélico.
A evolução passou dos limites com o aparecimento do CD evangélico pirata. A palavra pirata, por si própria é degenerativa. O evangélico sente compelido a comprar tais materiais porque é mais barato. Mas não considera o lado ético, de que alguém investiu dinheiro para produzir a obra (aluguel de estudio, profissionais de audio, prensagem do material, embalagem, divulgação, etc)
Mudança radical
As igrejas sofreram mudanças radicais no que se refere ao templo. O chão de cimento foi substuido pelo carpete e piso de cerâmica. O ventilador, pelo ar condicionado, o microfone de cabo, pelo sem fio, o violão, pela guitarra elétrica. A popularização dos teclados eletrônicos e consequentemente redução do preço, colaborou para trazer riqueza musical a igreja evangélica.
Templos passaram por reformas e ampliação. A demanda por maiores espaços gerou a construção de novos templos, alguns com capacidade para milhares de pessoas.
Destacamos nesta área a construção do maior templo evangélico no Brasil na cidade de Cuiabá. A Igreja Deus é Amor investiu milhões de reais na construção de seu novo templo na região central de São Paulo com capacidade para milhares de pessoas. Isto demonstra que o crescimento da igreja evangélica no Brasil é fato consumado e irreversivel.
A Biblia como regra de fé
Ser evangélico na década de 80, não era “ moda” como sugerido pela midia, mas compromisso com a Palavra de Deus no dia a dia, não apenas ser crente aos domingos. Ser evangélico nesta época significava contrariar os padrões estabelecidos pela religião tradicional.
A liturgia popular, cujos membros participam ativamente do culto, testemunhando ou cantando, foram um dos elementos que contribuiram para o crescimento da igreja evangélica. O púlpitos já não era privilégio exclusivo de um lider mas compartilhado até mesmo por mulheres e jovens.
Outro ponto importante— a doutrina básica nao era fundamentada em tradições retransmitidas através dos séculos, nem baseadas em publicações de revistas e livros que dão suporte a crença da denominação, mas tinham apenas a Biblia como autoridade nas questões de fé. Os livros eram complementos da Biblia, não o contrário.
Enquanto a igreja conquistava espaço, seus membros tornaram-se objeto de anedota por causa da forma de pregarem, orarem e vestirem. A midia, controlada por liberais, não dava trégua. Escandalos envolvendo pastores eram manchetes de primeira página, fossem os fatos verdadeiros ou não. Quando o Pastor Jimmy Swagart, foi surpreendido com atitudes contraditórias com a mensagem que pregava, houve assunto para a midia degustar por muito tempo. Mas tais escandalos não foram suficientes para deter o avanço. Crentes de nivel espiritual maduro, entendem que o cair é do homem, o levantar de Deus, que é rico em misericórdia e disposto a dar novas oportunidades.
Assim como a igreja primitiva teve seu tempo de refrigério durante fase do império romano, chegou o tempo de refrigério para a igreja evangélica. Na década de 80, haviam entre sua membresia não apenas trabalhadores braçais, membros da classe social C e D, mas advogados, doutores, grandes empresários e comerciantes. Na esfera politica membros da igreja conquistaram posições como vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores e governadores .
A máxima popular “se você não pode com o inimigo , junte-se a ele” — foi colocado em prática por alguns meios de comunicação. A Tribuna, do Espirito Santo por exemplo a partir de certa época passou a reservar uma página onde eram divulgadas gratuitamente os eventos das igrejas. Dificuldades financeiras enfrentadas pelos meios de comunicação, a dependencia de anunciantes e os altos custos, forçaram uma aproximação entre ambas partes.
“O mundo dá voltas!” —diz o ditado popular. E neste caso adapta-se perfeitamente a realidade. Quem antes de era objeto de crítica pela mídia, agora era cortejado. A Biblia diz que para tudo há um tempo determinado. E a década de 90 para a igreja evangélica brasileira foi o tempo de mostrar sua identidade e sua real missão como agente transformada da sociedade.