ATLETAS CRISTÃOS—LITERALMENTE
Até a década de 80, o futebol era considerado pelos pastores como uma espécie de idolatria. Diziam isto do púlpito sem receios de ofender fulano ou sicrano... Ensinavam que não era possivel conciliar o futebol com a vida espiritual. Citavam entre outros a violencia e palavrões nos estádios, e o fanatismo pelas equipes que levavam alguns até a morte ou para a cadeia.
Fato—No Estado do Espirito Santo, um torcedor do Flamengo e outro do Fluminense, discutiam sobre qual era o melhor time. Após calorosa discussão, um deles foi até sua casa, voltou armado ao bar e matou a queima roupa o torcedor do outro time. Conclusão—um morto e outro na cadeia por homicidio.
Mas os tempos mudaram...... As pessoas, pastores e lideres de igrejas também.. (?) Entre outros fatores que contribuiram para a introdução do futebol na igreja , a conversão de atletas famosos, que em entrevistas diziam, agora novos convertidos Deus iria lhes ajudar a fazer mais gols e conquistar campeonatos.
Houve até o caso de um conhecido jogador do Corinthias que descreveu com detalhes como foi que fez o gol que deu a seu time o titulo de campeão.
“ — Eu orei antes da partida e fiquei em espirito orando o tempo todo durante a partida, quando de repente vi uma oportunidade e fui impulsionado divinamente a chutar a bola..... E ela encaixou no angulo direito....” .
Um famoso médico evangélico dava palestras nas igrejas sobre saúde e dizia que caminhadas e jogar futebol eram excelentes para manter a boa forma. Segundo ele, aqueles que mantivessem praticando esportes, o versiculo biblico que depois dos setenta era só enfado e canseira (Salmos ....... ) , demoraria um pouco mais se cumprir... Ele dizia em tom de deboche nas palestras
“ — Voce tem mais de 60 anos? , voce é jovem..... Velho é o Diabo!”
Alguns crentes queriam aplicar tais conselhos ao pé da letra, porem rejeitavam a caminhada e preferindo o futebol.. Segundo eles era muito mais divertido correr atrás da pelota.
Como havia muita pressão na igreja pois o número de adeptos ao futebol estava crescendo, o pastor convocou uma reunião extraordinária com os homens . Foram sugeridos alguns nomes e levados a votação. Foram aprovados Palmeiras de Jericó (equipe dos pastores), Corintios (equipe dos presbiteros) e Só Santos (equipe dos Diaconos) e Atletas da ultima hora (membros) . Na votação foram rejeitados os seguintes nomes e Gideoes esportistas, Discipulos de Sao Paulo e Mais Que Vencedores (pois diziam: “ —E se o time perder:? .
Foram nomeados juizes e bandeirinhas. Foi decidido terem cantina beneficente no final de cada jogo, cuja arrecadação seria usada para comprar jogos de camisas para times de futebol infantis formados em Orfanatos.
No princípio a comunhão fraternal entre os crentes futebolistas foi afetada. Durante as primeiras partidas, aconteceram caneladas, insultos e até palavrões. No primeiro culto de Santa Ceia que aconteceu após a formação dos times, alguns membros não puderam participar.
A politica ministerial infelizmente entrou em atividade nas partidas. Alguns membros e até obreiros, aproveitavam a oportunidade criada na partida para dar um chute na canela do jogador da equipe adversaria ou faze-lo tropeçar e cair, o qual não simpatizavam ou haviam entrado em atrito. Isto porem porém era feito discretamente fazendo passar por acidentes normais que acontecem durante o jogo.
“ — Desculpa meu irmão, foi sem querer, me perdoe se doeu!” Era a frase mais usada quando ocorriam tais “acidentes”.
Certo dia um obreiro chegou a igreja com o pé engessado, andando com ajuda de muletas. Alguem lhe perguntou
“—Acidente de trabalho?”
“ — Não!..... Mal jeito durante uma pelada de futebol....”
“ — Quando aconteceu?”
“ — Na última partida da equipe dos Presbíteros contra os Diáconos”.
O pastor deixou bem claro na reunião em que oficializou as equipes de futebol , que palavras torpes não seriam admitidas sob nenhuma hipótese durante as partidas.
Porém nem todos obedeceram as diretrizes
“ - Publicano....” Gritou um deles a outro que lhe deu um empurrão que provocou uma queda fatal tres metros fora do campo.
O pastor, que na ocasião era o juiz e apitava o jogo, teve que intervir e deu um cartão amarelo no ofensor que ficou suspenso de suas atividades no Coral da igreja por uma semana. Orou pelos dois, o que deu a canelada e o autor do acidente e disse antes de recomeçar a partida:
“ — Temos que manter a comunhão... A Biblia diz que nossa peleja não é contra a carne, mas contra as hostes espirituais...... Seja na igreja, na seara ou no campo de futebol. temos que manter o espírito cristão de fraternidade.... Nao podemos perder o domínio próprio.... Aprendamos usá-lo em nossas partidas e vai ser uma benção.... E a vitória é nossa. Todos somos atletas cristãos e temos o mesmo objetivo—vencer e conquistar o premio, aqui no campo”
Fato inusitado que deu muito comentário foi quando um membro fez um gol contra e a torcida gritou indignada em coro ao som do batuque.
“ — Judas Iscariotis!”